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08/07/17, sábado, 16h

Palestra sobre " A história da Greve de 1917 em uma perspectiva espacial" com Amir El Hakim, professor de geografia- Unesp.

 
24/06/17, sábado, 16h

Debate sobre "Anarquismo nos Balcãs: História e Atualidade do Anarquismo na Região dos Balcãs"  com a presença dos companheiros da Federação Anarquista Eslovena e Croata

 
29/07/17, sábado, 16h

Apresentação do Monólogo " Iê: A Guerra do Paraguai, a Capoeira e os Zuavos Baianos" com interpretação de José Faustino

 
02/09/17, sábado, 16h

Debate marcando o centenário da Revolução Russa com a presença de Frank Mintz, historiador, militante anarquista membro da CNT-França

 
28/10/17, sábado, das 14 as 18h

Seminário sobre Experiências com Grupos Educativos para Homens Responsabilizados pela Lei Maria da Penha, com divisão de vários temas e condução de convidados pelo Fórum de Gênero e Masculinidades do Grande ABC

 
20/05/17, sábado, 16h

Debate com o coletivo Centro de Defesa com a Rua sobre o tema "Violência Institucional e a Resistência do Povo de Rua"

 
06/05/17, sábado, 16h

"Primeiro de Maio: historia internacional de um dia anarquista", conversação com Amir El Hakim (professor de Geografia - UNESP) e Federico Ferretti (Professor de Geografia na UCD Dublin)

 
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24/06/17, sábado, 16h -

Debate sobre "Anarquismo nos Balcãs: História e Atualidade do Anarquismo na Região dos Balcãs"  com a presença dos companheiros da Federação Anarquista Eslovena e Croata


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Palestra sobre " A história da Greve de 1917 em uma perspectiva espacial" com Amir El Hakim, professor de geografia- Unesp.


06/05/17, sábado, 16h -

"Primeiro de Maio: historia internacional de um dia anarquista", conversação com Amir El Hakim (professor de Geografia - UNESP) e Federico Ferretti (Professor de Geografia na UCD Dublin)


29/07/17, sábado, 16h -

Apresentação do Monólogo " Iê: A Guerra do Paraguai, a Capoeira e os Zuavos Baianos" com interpretação de José Faustino


28/10/17, sábado, das 14 as 18h -

Seminário sobre Experiências com Grupos Educativos para Homens Responsabilizados pela Lei Maria da Penha, com divisão de vários temas e condução de convidados pelo Fórum de Gênero e Masculinidades do Grande ABC


02/09/17, sábado, 16h -

Debate marcando o centenário da Revolução Russa com a presença de Frank Mintz, historiador, militante anarquista membro da CNT-França



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Quem somos

Histórico

por Jaime Cubero

O Centro de Cultura Social de São Paulo foi fundado em 14 de janeiro de 1933 como remanescente das entidades culturais criadas pelo movimento anarco-sindicalista e libertário nas primeiras décadas do século XX.Quando o fluxo imigratório se acentuou a partir dos últimos anos do século passado, os trabalhadores que aqui chegavam, muitos deles saídos da militância anarquista na Europa, ao organizarem suas sociedades de resistência, não só para luta por melhores condições de vida, mas movidos, por ideais de transformação social, passaram a criar seus centros de cultura.Cada associação, união, liga ou como se chamasse a entidade profissional fundada, procurava criar seu centro, ateneu ou grêmio cultural, transportando para o Brasil a prática do Movimento Libertário europeu e a preocupação permanente dos anarquistas com a educação e a cultura. Criou-se uma vasta rede de entidades culturais entre os trabalhadores, com suas bibliotecas, publicações, elencos teatrais etc. Pouca coisa restou à sanha policial nos longos períodos de repressão, quando as bibliotecas, os periódicos, programas e documentos eram destruídos. Só o zelo e uma resistência em surdina possibilitou a alguns militantes salvar o suficiente para testemunhar a imensa obra desenvolvida. Exemplificamos com algumas entidades, dentre muitas outras, cujo registro e documentos possuímos: Grupo Filodramático Social (1905), Grupo Filodramático do Centro de Estudos Sociais do Brás (1906), Grupo Libertário do Brás (1910), Grupo Aurora Libertas (1911), Circulo de Estudos Sociais Francisco Ferrer (1912), Círculo Filodramático Libertário (1914), Centro Feminino Jovens Idealistas (1915), Associação Universidade Popular de Cultura Racionalista (1915), Centro de Estudos Sociais Juventude do Futuro (1920), Grupo Nova Era (1922), Biblioteca Social A Inovadora (1924). Todas de São Paulo. Essas entidades se espalharam pelo Brasil, com predominância em São Paulo e Rio de Janeiro.A partir de 1930, com o refluir do movimento - por uma conjugação de fatores que não cabe tratar aqui - decidiram os militantes de São Paulo fundar uma entidade que, atendendo aos seus objetivos culturais e educativos servisse de instrumento para desenvolver suas atividades, como marco inicial de uma retomada na caminhada dos ideais libertários. Consta dos estatutos do Centro de Cultura Social que o mesmo tem por finalidade "estimular, apoiar e promover nos meios populares e, principalmente entre os trabalhadores, onde as possibilidades de cultura são limitadas por toda espécie de empecilhos, o estudo de todos os problemas que se relacionam com a questão social". E mais, que o Centro "trabalhará para desenvolver nos meios populares o espírito de solidariedade, condena todas as formas de tiranias que prejudicam as liberdades individuais e coletivas; todas as formas de exploração, que anulam as possibilidades econômicas para o desenvolvimento do indivíduo", e mais, se propõe "auxiliar a fundação de centros com igual finalidade em subúrbios e em outras cidades, estabelecendo com os mesmos e com as entidades já existentes uma obra de conjunto".Desde sua fundação o Centro de Cultura Social promove intensa atividade cultural. Já em janeiro de 1933 anunciava a conferência da escritora argentina Concepción Fernandez, subordinada ao título "A Música como Fator de Aproximação dos Povos"; no dia 23 de julho do mesmo ano anunciava grande ato comemorativo do 1º aniversário da morte de Errico Malatesta. Além das conferências, cursos, exposições, montagens teatrais com grupo próprio etc., o Centro de Cultura Social participa de campanhas políticas de envergadura, como a luta antifascista, juntamente com o jornal "A Plebe" e outros órgãos libertários. Promove comícios, publica panfletos e em sua sede se reúnem os militantes que culminam com o enfrentamento contra os integralistas no dia quatro de outubro de 1934. As lutas dos trabalhadores sempre tiveram o Centro de Cultura Social presente.Em 1937, em conseqüência do golpe fascista de Getúlio Vargas, o Centro foi fechado, reabrindo em 2 de junho de 1945 e novamente sustou as atividades no dia 21 de abril de 1969, logo após ser promulgado o Ato Institucional n.º 5, embora houvesse resistido à ditadura militar desde março de 1964 até aquela data, com a criação do Laboratório de Ensaio, a mais fecunda experiência do Centro de Cultura Social no campo das artes. Não sendo possível prosseguir, só voltou plenamente à vida ativa a partir de 14 de abril de 1985.Seria por demais longo e exaustivo fazer um registro, mesmo parcial, da trajetória do Centro de Cultura Social. Um ou outro exemplo citado, quiçá os menos ilustrativos, não instrui sobre o essencial: o quanto importante, necessário e fundamental é sua atividade para o desenvolvimento do Movimento Libertário.  

As origens – o ateneu libertário

A palavra ateneu se origina do grego ATHENÁION. Nome que designava as associações de caráter cultural, científicas ou literárias, entidades não oficiais de instrução, academias. O nome também se aplicava ao local onde ocorriam as reuniões dessas sociedades. A partir da segunda metade do século XIX, na Europa, fundaram-se os primeiros ATENEUS LIBERTÁRIOS, dedicados a fomentar a cultura entre o proletariado. Os ateneus foram grandes promotores da arte, da cultura e do conhecimento em geral. Neles se originaram - ainda que os interesses dominantes hoje não sejam os mesmos, no fundo as necessidades não variaram - as aspirações à dignidade do ser humano e os anseios de liberdade em confronto com uma cultura enquadrada numa sociedade autoritária e discriminatória. Atenderam à necessidade de uma entidade que levasse a cultura e o saber à rua e proporcionasse abertamente os conhecimentos e a solidariedade desejada.Atualmente tudo concorre para a alienação do individuo. Multidões vivendo em cidades dormitórios, sofrendo a influência castradora dos meios de comunicação de massa a serviço das classes dominantes e do Estado. Toda uma carga avassaladora de estímulos  destinadas a reproduzir, sustentar e ampliar interesses criados, atomizando os indivíduos, levando-os ao isolamento, anulando toda potencialidade criativa. Diante desse quadro, o Ateneu Libertário surge como alternativa onde temos a oportunidade de expressar nossa identidade e onde as tarefas comuns atingem seu mais alto sentido, como expressão de comunicação e entendimento, convertendo-se no lugar onde se analisam e projetam as respostas às necessidades que surgem na comunidade dos bairros e cidades.O Ateneu Libertário é uma associação autônoma e libertária, com identidade própria, cuja organização é a federação livre e voluntária de indivíduos e grupos, com a Assembléia como órgão de discussão, debate e decisão, com cargos de contínua revogabilidade e permanente rotação. É um centro de aprendizagem e cultura libertária. Seu âmbito de atuação é público, a rua, o bairro, e a cidade. Portanto, o Ateneu oferece-nos as tarefas de informação e formação e uma participação que implica em responsabilidade nas diversas atividades. Baseia-se na cooperação e fundamentalmente no apoio mútuo e na expressão de liberdade do indivíduo e a autogestão será seu motor primordial.Historicamente, na Europa, principalmente na Espanha, os ateneus tiveram e tem presença marcante na vida do Movimento Libertário e podem ser considerados como centros onde se expuseram, em todos os tempos, as preocupações e a prática dos militantes anarquistas. Neles convergem as tendências libertárias e as formas diferentes de interpretar a luta contra o capitalismo e o Estado, nos aspectos diversos, mas inseparáveis da mesma realidade.Situados em diferentes bairros de cidades grandes e pequenas, foram sempre um espaço de lazer e cultura para os trabalhadores após o horário de trabalho. Ao mesmo tempo, centros de instrução destinados a substituir os valores tradicionais de uma ordem hierarquizada e dividida em classes. Centros onde se destacam os valores defendidos pelo Anarco-sindicalismo e o Movimento Libertário. Tais valores repudiavam e continuam repudiando a sociedade autoritária, apresentavam e continuam apresentando as alternativas de uma sociedade nova baseada no apoio mútuo e numa ética de responsabilidade pessoal intransferível. Isto significa assumir a responsabilidade com todos os seus riscos, a liberdade com todas as suas implicações, porque só a liberdade e a responsabilidade não delegada podem criar uma vida nova.Nos ateneus foram tratados assuntos nunca antes tocados em lugar nenhum. O estudo da sexualidade, da natureza e do equilíbrio desta com a pessoa humana, fundamento da atual ecologia. As escolas racionalistas foram outro aspecto demonstrativo da influência, no caso, das idéias-força do Anarquismo sobre a pedagogia. Sua atualidade demonstra a importância da função dos Ateneus.

No Brasil - dos ateneus aos centros de culturas

No Brasil, considerando as variáveis próprias de lugar e tempo, o Centro de Cultura Social corresponde exatamente à função do Ateneu Libertário. Sua trajetória é adequada exatamente às mesmas finalidades. No passado, no presente e nas perspectivas futuras. O Centro é essencial à projeção libertária sobre a vida atual, principalmente porque dessa projeção há de se prefigurar o mundo futuro que desejamos. Queremos dizer, desde o meio em que vivemos, desde a marginalidade em que nos desenvolvemos, devemos ganhar, paulatinamente, mas sem descanso, espaços e setores de consciência e opinião, devemos aumentar em quantidade, força e intensidade a presença libertária nos bairros, distritos e municípios. Outros centros devem ser criados. Eles são o espaço dessa prática libertária generalizada que deve ir substituindo os valores viciados da burguesia e do capitalismo, penetrando profundamente na consciência social.Devemos estar nos sindicatos e entidades específicas, mas também devemos estar nos Centro de Cultura. Ademais os centros e possíveis e futuras federações de centros terão um papel fundamental na configuração do Movimento Libertário, se conseguirmos torná-lo o catalizador de todas as forças, correntes, tendências e práticas libertárias que atuam no seio da atual sociedade. As atividades dos Centros de Cultura devem orientar-se para o aprendizado e a formação das pessoas priorizando o tratamento da ética libertária, essência de nossas atuações e esquemas organizativos.Os Centros de Cultura são espaços de luta contra o autoritarismo existente, que se manifesta através da repressão que permeia todas as esferas de nossa vida, seja na família, na escola, no exército ou na fábrica. Quando alguém se rebela contra a ordem existente, o lugar que o espera é a prisão, o reformatório ou qualquer instituição criada para reprimir e castrar. A alternativa que surge como forma de luta é o Centro de Cultura, tentando arrebatar do Estado e do capitalismo, em espaços de atuação, parcelas do seu controle, por meio de uma educação e cultura não institucionalizada, desenvolvendo uma consciência crítica, que faça dos homens e mulheres seres livres. Livres na atuação e nas idéias, sem influências estranhas ou artificiais à natureza de cada individuo.À proporção que adquirimos conhecimentos sentimo-nos mais livres. A grande força criadora do homem está no conhecimento. Conhecer é vencer obstáculos, é abrir espaços à liberdade. Sabem muito bem todos os poderosos que o saber liberta, e por isso querem regulá-lo, para por esse meio manietar mais facilmente o espírito humano. Cultura a meias, conhecimentos bitolados, doutrinas oficiais, programas pré-estabelecidos segundo os interesses do Estado, controle total de todos os institutos e escolas de todos os níveis, destinados a reproduzir o sistema de privilégios em que vivemos, sempre usando medidas para evitar que o povo possa aquilatar a miséria moral e a mediocridade dos que governam.Os Centros de Cultura hoje, como os Ateneus Libertários, ontem, são a resposta. Desenvolvendo atividade social, no apoio às lutas das comunidades (ensino, ecologia, saúde, educação...) participando sempre a favor da autogestão e contra a manipulação de partidos políticos. Incentivando a cultura e a educação libertária, organizando palestras, cursos, festas, cinema, teatro, bibliotecas e tudo o que a criatividade num espaço não reprimido possa germinar.Nossos Centros são freqüentados por muitas pessoas em busca de informações e conhecimentos, que não são anarquistas. Pessoas que começam a ter contato com idéias e novas formas de relacionamento humano, que poderão, com o tempo, integrarem-se ou não ao Movimento Libertário. Daí a necessidade de um Movimento Específico, onde participem somente os militantes, - pessoas com idéias e convicções definidas - que sem deixar de participar nos Centros, possam de maneira organizada e solidária articular-se na esfera das necessidades específicas.

 

por Jaime Cubero

O Centro de Cultura Social de São Paulo foi fundado em 14 de janeiro de 1933 como remanescente das entidades culturais criadas pelo movimento anarco-sindicalista e libertário nas primeiras décadas do século XX.Quando o fluxo imigratório se acentuou a partir dos últimos anos do século passado, os trabalhadores que aqui chegavam, muitos deles saídos da militância anarquista na Europa, ao organizarem suas sociedades de resistência, não só para luta por melhores condições de vida, mas movidos, por ideais de transformação social, passaram a criar seus centros de cultura.Cada associação, união, liga ou como se chamasse a entidade profissional fundada, procurava criar seu centro, ateneu ou grêmio cultural, transportando para o Brasil a prática do Movimento Libertário europeu e a preocupação permanente dos anarquistas com a educação e a cultura. Criou-se uma vasta rede de entidades culturais entre os trabalhadores, com suas bibliotecas, publicações, elencos teatrais etc. Pouca coisa restou à sanha policial nos longos períodos de repressão, quando as bibliotecas, os periódicos, programas e documentos eram destruídos. Só o zelo e uma resistência em surdina possibilitou a alguns militantes salvar o suficiente para testemunhar a imensa obra desenvolvida. Exemplificamos com algumas entidades, dentre muitas outras, cujo registro e documentos possuímos: Grupo Filodramático Social (1905), Grupo Filodramático do Centro de Estudos Sociais do Brás (1906), Grupo Libertário do Brás (1910), Grupo Aurora Libertas (1911), Circulo de Estudos Sociais Francisco Ferrer (1912), Círculo Filodramático Libertário (1914), Centro Feminino Jovens Idealistas (1915), Associação Universidade Popular de Cultura Racionalista (1915), Centro de Estudos Sociais Juventude do Futuro (1920), Grupo Nova Era (1922), Biblioteca Social A Inovadora (1924). Todas de São Paulo. Essas entidades se espalharam pelo Brasil, com predominância em São Paulo e Rio de Janeiro.A partir de 1930, com o refluir do movimento - por uma conjugação de fatores que não cabe tratar aqui - decidiram os militantes de São Paulo fundar uma entidade que, atendendo aos seus objetivos culturais e educativos servisse de instrumento para desenvolver suas atividades, como marco inicial de uma retomada na caminhada dos ideais libertários. Consta dos estatutos do Centro de Cultura Social que o mesmo tem por finalidade "estimular, apoiar e promover nos meios populares e, principalmente entre os trabalhadores, onde as possibilidades de cultura são limitadas por toda espécie de empecilhos, o estudo de todos os problemas que se relacionam com a questão social". E mais, que o Centro "trabalhará para desenvolver nos meios populares o espírito de solidariedade, condena todas as formas de tiranias que prejudicam as liberdades individuais e coletivas; todas as formas de exploração, que anulam as possibilidades econômicas para o desenvolvimento do indivíduo", e mais, se propõe "auxiliar a fundação de centros com igual finalidade em subúrbios e em outras cidades, estabelecendo com os mesmos e com as entidades já existentes uma obra de conjunto".Desde sua fundação o Centro de Cultura Social promove intensa atividade cultural. Já em janeiro de 1933 anunciava a conferência da escritora argentina Concepción Fernandez, subordinada ao título "A Música como Fator de Aproximação dos Povos"; no dia 23 de julho do mesmo ano anunciava grande ato comemorativo do 1º aniversário da morte de Errico Malatesta. Além das conferências, cursos, exposições, montagens teatrais com grupo próprio etc., o Centro de Cultura Social participa de campanhas políticas de envergadura, como a luta antifascista, juntamente com o jornal "A Plebe" e outros órgãos libertários. Promove comícios, publica panfletos e em sua sede se reúnem os militantes que culminam com o enfrentamento contra os integralistas no dia quatro de outubro de 1934. As lutas dos trabalhadores sempre tiveram o Centro de Cultura Social presente.Em 1937, em conseqüência do golpe fascista de Getúlio Vargas, o Centro foi fechado, reabrindo em 2 de junho de 1945 e novamente sustou as atividades no dia 21 de abril de 1969, logo após ser promulgado o Ato Institucional n.º 5, embora houvesse resistido à ditadura militar desde março de 1964 até aquela data, com a criação do Laboratório de Ensaio, a mais fecunda experiência do Centro de Cultura Social no campo das artes. Não sendo possível prosseguir, só voltou plenamente à vida ativa a partir de 14 de abril de 1985.Seria por demais longo e exaustivo fazer um registro, mesmo parcial, da trajetória do Centro de Cultura Social. Um ou outro exemplo citado, quiçá os menos ilustrativos, não instrui sobre o essencial: o quanto importante, necessário e fundamental é sua atividade para o desenvolvimento do Movimento Libertário.

 

As origens – o ateneu libertário

A palavra ateneu se origina do grego ATHENÁION. Nome que designava as associações de caráter cultural, científicas ou literárias, entidades não oficiais de instrução, academias. O nome também se aplicava ao local onde ocorriam as reuniões dessas sociedades. A partir da segunda metade do século XIX, na Europa, fundaram-se os primeiros ATENEUS LIBERTÁRIOS, dedicados a fomentar a cultura entre o proletariado. Os ateneus foram grandes promotores da arte, da cultura e do conhecimento em geral. Neles se originaram - ainda que os interesses dominantes hoje não sejam os mesmos, no fundo as necessidades não variaram - as aspirações à dignidade do ser humano e os anseios de liberdade em confronto com uma cultura enquadrada numa sociedade autoritária e discriminatória. Atenderam à necessidade de uma entidade que levasse a cultura e o saber à rua e proporcionasse abertamente os conhecimentos e a solidariedade desejada.Atualmente tudo concorre para a alienação do individuo. Multidões vivendo em cidades dormitórios, sofrendo a influência castradora dos meios de comunicação de massa a serviço das classes dominantes e do Estado. Toda uma carga avassaladora de estímulos destinadas a reproduzir, sustentar e ampliar interesses criados, atomizando os indivíduos, levando-os ao isolamento, anulando toda potencialidade criativa. Diante desse quadro, o Ateneu Libertário surge como alternativa onde temos a oportunidade de expressar nossa identidade e onde as tarefas comuns atingem seu mais alto sentido, como expressão de comunicação e entendimento, convertendo-se no lugar onde se analisam e projetam as respostas às necessidades que surgem na comunidade dos bairros e cidades.O Ateneu Libertário é uma associação autônoma e libertária, com identidade própria, cuja organização é a federação livre e voluntária de indivíduos e grupos, com a Assembléia como órgão de discussão, debate e decisão, com cargos de contínua revogabilidade e permanente rotação. É um centro de aprendizagem e cultura libertária. Seu âmbito de atuação é público, a rua, o bairro, e a cidade. Portanto, o Ateneu oferece-nos as tarefas de informação e formação e uma participação que implica em responsabilidade nas diversas atividades. Baseia-se na cooperação e fundamentalmente no apoio mútuo e na expressão de liberdade do indivíduo e a autogestão será seu motor primordial.Historicamente, na Europa, principalmente na Espanha, os ateneus tiveram e tem presença marcante na vida do Movimento Libertário e podem ser considerados como centros onde se expuseram, em todos os tempos, as preocupações e a prática dos militantes anarquistas. Neles convergem as tendências libertárias e as formas diferentes de interpretar a luta contra o capitalismo e o Estado, nos aspectos diversos, mas inseparáveis da mesma realidade.Situados em diferentes bairros de cidades grandes e pequenas, foram sempre um espaço de lazer e cultura para os trabalhadores após o horário de trabalho. Ao mesmo tempo, centros de instrução destinados a substituir os valores tradicionais de uma ordem hierarquizada e dividida em classes. Centros onde se destacam os valores defendidos pelo Anarco-sindicalismo e o Movimento Libertário. Tais valores repudiavam e continuam repudiando a sociedade autoritária, apresentavam e continuam apresentando as alternativas de uma sociedade nova baseada no apoio mútuo e numa ética de responsabilidade pessoal intransferível. Isto significa assumir a responsabilidade com todos os seus riscos, a liberdade com todas as suas implicações, porque só a liberdade e a responsabilidade não delegada podem criar uma vida nova.Nos ateneus foram tratados assuntos nunca antes tocados em lugar nenhum. O estudo da sexualidade, da natureza e do equilíbrio desta com a pessoa humana, fundamento da atual ecologia. As escolas racionalistas foram outro aspecto demonstrativo da influência, no caso, das idéias-força do Anarquismo sobre a pedagogia. Sua atualidade demonstra a importância da função dos Ateneus.

 

No Brasil - dos ateneus aos centros de culturas

No Brasil, considerando as variáveis próprias de lugar e tempo, o Centro de Cultura Social corresponde exatamente à função do Ateneu Libertário. Sua trajetória é adequada exatamente às mesmas finalidades. No passado, no presente e nas perspectivas futuras. O Centro é essencial à projeção libertária sobre a vida atual, principalmente porque dessa projeção há de se prefigurar o mundo futuro que desejamos. Queremos dizer, desde o meio em que vivemos, desde a marginalidade em que nos desenvolvemos, devemos ganhar, paulatinamente, mas sem descanso, espaços e setores de consciência e opinião, devemos aumentar em quantidade, força e intensidade a presença libertária nos bairros, distritos e municípios. Outros centros devem ser criados. Eles são o espaço dessa prática libertária generalizada que deve ir substituindo os valores viciados da burguesia e do capitalismo, penetrando profundamente na consciência social.Devemos estar nos sindicatos e entidades específicas, mas também devemos estar nos Centro de Cultura. Ademais os centros e possíveis e futuras federações de centros terão um papel fundamental na configuração do Movimento Libertário, se conseguirmos torná-lo o catalizador de todas as forças, correntes, tendências e práticas libertárias que atuam no seio da atual sociedade. As atividades dos Centros de Cultura devem orientar-se para o aprendizado e a formação das pessoas priorizando o tratamento da ética libertária, essência de nossas atuações e esquemas organizativos.Os Centros de Cultura são espaços de luta contra o autoritarismo existente, que se manifesta através da repressão que permeia todas as esferas de nossa vida, seja na família, na escola, no exército ou na fábrica. Quando alguém se rebela contra a ordem existente, o lugar que o espera é a prisão, o reformatório ou qualquer instituição criada para reprimir e castrar. A alternativa que surge como forma de luta é o Centro de Cultura, tentando arrebatar do Estado e do capitalismo, em espaços de atuação, parcelas do seu controle, por meio de uma educação e cultura não institucionalizada, desenvolvendo uma consciência crítica, que faça dos homens e mulheres seres livres. Livres na atuação e nas idéias, sem influências estranhas ou artificiais à natureza de cada individuo.À proporção que adquirimos conhecimentos sentimo-nos mais livres. A grande força criadora do homem está no conhecimento. Conhecer é vencer obstáculos, é abrir espaços à liberdade. Sabem muito bem todos os poderosos que o saber liberta, e por isso querem regulá-lo, para por esse meio manietar mais facilmente o espírito humano. Cultura a meias, conhecimentos bitolados, doutrinas oficiais, programas pré-estabelecidos segundo os interesses do Estado, controle total de todos os institutos e escolas de todos os níveis, destinados a reproduzir o sistema de privilégios em que vivemos, sempre usando medidas para evitar que o povo possa aquilatar a miséria moral e a mediocridade dos que governam.Os Centros de Cultura hoje, como os Ateneus Libertários, ontem, são a resposta. Desenvolvendo atividade social, no apoio às lutas das comunidades (ensino, ecologia, saúde, educação...) participando sempre a favor da autogestão e contra a manipulação de partidos políticos. Incentivando a cultura e a educação libertária, organizando palestras, cursos, festas, cinema, teatro, bibliotecas e tudo o que a criatividade num espaço não reprimido possa germinar.Nossos Centros são freqüentados por muitas pessoas em busca de informações e conhecimentos, que não são anarquistas. Pessoas que começam a ter contato com idéias e novas formas de relacionamento humano, que poderão, com o tempo, integrarem-se ou não ao Movimento Libertário. Daí a necessidade de um Movimento Específico, onde participem somente os militantes, - pessoas com idéias e convicções definidas - que sem deixar de participar nos Centros, possam de maneira organizada e solidária articular-se na esfera das necessidades específicas.

 
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